Satisfação ou Frustração... eis a questão!


O período eleitoral, me trouxe um sentimento dúbio entre duas palavras “satisfação e frustração”. A origem da satisfação, em latim “satisfactĭo”, era utilizada quando efetuado um pagamento de uma dívida e/ou uma reparação. Frustração, em latim “frustrari”, usada quando ocorria um engano, erro e/ou até uma mentira.

Com certeza não vou entrar no campo político, mas sim no mundo corporativo. Acredito que muitos de vocês leitores já se encontraram com esse sentimento de satisfação e frustração quase que ao mesmo tempo em sua carreira profissional. Lembro-me, muito bem, na minha primeira promoção a liderança – tinha apenas 17 anos e fui convidado a liderar um grupo de 4 funcionários, com a responsabilidade de executar o fechamento do ponto / cartão que, naquela época eram calculados dia a dia e hora a hora, manualmente, de 5 mil cartões.

Quando recebi o convite fiquei muito satisfeito, com sentimento de orgulho e reconhecimento, principalmente pela possibilidade de obter um aumento de salário pelas novas responsabilidades que teria que assumir. Ansioso por chegar em casa e contar aos meus pais, acreditando que receberia muitos elogios e conselhos. Assim aconteceu, muitos elogios mas diferente do que imaginei na hora dos concelhos do meu pai. Primeiro veio a pergunta:

- Meu filho, quem você irá liderar?

- Vou liderar os meus amigos apontadores de cartão ponto. Somos em cinco, contando comigo.

- Muito bom filho, como você pretende liderar os seus amigos?

- Pai, não sei bem como fazer isso, mas é uma boa oportunidade para mim, o senhor não acha!

- Claro que sim filho, mas você tem consciência do que é liderar pessoas? A empresa vai preparar você para essa responsabilidade? Você será capaz de assumir bem essa responsabilidade?

Tenho certeza que o meu pai não pretendia desmotivar-me, mas nesse momento instalou-se uma certa frustração, juntamente com o medo do tamanho da responsabilidade que iria assumir e não tinha me dado conta. Passei a noite refletindo e tentando encontrar as respostas das perguntas que havia recebido, e acordei com a decisão de, na primeira hora do dia, solicitar ao meu líder o esclarecimento das minhas responsabilidades, resultados esperados e uma capacitação de liderança para conseguir atender às expectativas da organização. Assim o fiz, com parcial reciprocidade, ou seja, a explicação das responsabilidades e entregas foram passadas com muita clareza, mas a solicitação de um curso foi negada por contenção de custos, mas prometeu a me acompanhar e dar as dicas do que fazer e o que não fazer na liderança da equipe.

Em um ano e meio depois ganhei mais uma promoção para Auxiliar de Departamento Pessoal, dessa vez somente com o sentimento de muita satisfação.

Essa história ainda é comum nas organizações. Promove-se um excelente técnico, e pela ausência de preparação e até análise de perfil, perde-se um maravilhoso técnico e ganha-se um mediano líder.

Reflita sobre isso.

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