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Seu colega está lhe sabotando? O que fazer?

May 8, 2018

 

Muitas pessoas que se sentem inseguras ou carentes de habilidades tentam prejudicar aqueles que veem como seus concorrentes, que se destacam ou podem ofuscá-las. Esse fenômeno é conhecido como síndrome de Procusto. Na mitologia grega, Procusto, filho de Poseidon, era um anfitrião terrível que torturava, amputava ou matava a marteladas todos os que se hospedavam em sua casa se seu tamanho não coincidisse com o comprimento da cama. Se o hóspede fosse maior que o leito, serrava-lhe as partes do corpo que sobressaíam, se fosse menor, desconjuntava-o violentamente. Esse tirano, de estatura descomunal e força desmedida, acabou provando do seu próprio veneno quando Teseu o desafiou a medir-se em seu leito.

 

Na atualidade, utilizamos o conceito de síndrome de Procusto para definir pessoas que tentam menosprezar quem é mais brilhante que elas. São exemplo de intolerância a tudo que é diferente e, principalmente, a tudo que é melhor. Procusto cortava a cabeça ou os pés que ficassem de fora de seu leito, e muitos colegas de trabalho ou líderes boicotam, humilham e limitam os que se destacam em relação a eles porque se tornam uma ameaça.

Podemos encontrar rastros da síndrome de Procusto em todos os setores, da empresa à política, do esporte à educação. Estão presentes em qualquer organização, pública ou privada.

 

São muitos os que anseiam o poder, seja tentando alcançá-lo por méritos próprios seja degradando os que podem competir com eles. Todos conhecemos alguém de nosso entorno que se comporta dessa maneira mesquinha e vil, conscientemente ou não. Como detectá-los a tempo?

 

  • Demonstram insegurança e um sentimento de inferioridade. Indivíduos desse tipo se veem ameaçados por qualquer pessoa que acreditem ser capaz de superá-los. Quem apresentar ideias melhores que as suas poderá desmascará-los diante de um superior. O medo de perder posição, poder ou hierarquia subjaz nesses casos.

  • Vivem na defensiva. Talvez se sintam pouco criativos, não tão inteligentes, menos talentosos que outros. Quando se veem diante de uma ameaça, uma das soluções às quais recorrem é tentar passar à frente de seu rival. Mas carecem de recursos para se superar, de modo que, em vez de esforçar-se e potencializar suas capacidades, tentam limitar as dos outros. Pensam que assim terminarão todos iguais. 

  • Monopolizam tarefas. O nível de competitividade com que se trabalha em certos ambientes leva alguns a querer ganhar a qualquer preço. Não raro assumem projetos para os quais não têm tempo só para evitar que sejam atribuídos a algum colega capaz de surpreender fazendo um trabalho melhor. 

  • Realizam tarefas irracionais. E podem chegar a pensar que o fato de outros serem brilhantes significa necessariamente que eles não o são. Mas a criatividade, a habilidade, a capacidade e o entusiasmo estão em toda parte, não se esgotam porque alguém os possui.

  • Rejeitam a mudança. Existem funcionários, ou chefes, que trabalham há anos em uma organização e se acomodaram a determinado ritmo. Para eles, a chegada de alguém com maior motivação e entusiasmo, com vontade de mudar para melhorar significa que terão de se adaptar a uma nova forma de fazer as coisas e sair de sua zona de conforto.

  •  Costumam julgar as opiniões dos outros a partir de seu próprio ponto de vista. Para eles, suas ideias são as únicas válidas e não há lugar para nada que seja diferente. Dessa maneira boicotam o pensamento criativo e as ideias do grupo, dificultando o trabalho em equipe.

 

Quem sofre da síndrome de Procusto pode acabar desencadeando um transtorno psicológico. Fomos educados em valores como o esforço, a disciplina, a responsabilidade e a perseverança. Ser punido e humilhado por trazer algo a uma organização contradiz esses valores. As consequências podem ser devastadoras – tanto do ponto de vista pessoal como do profissional – para a vítima, que se verá limitada, questionada ou ridicularizada. Os efeitos também são nefastos para a organização, que perde ideias, inovação e uma saudável capacidade de concorrência.

 

Um empresário ou um gestor inteligente deveria querer estar sempre rodeado de pessoas mais capacitadas, mais criativas e mais engenhosas que ele. Ter talento e trazer um valor agregado a um trabalho é a melhor maneira de inovar e crescer. E isso implica em assumir riscos. Os empresários têm medo de formar e investir em funcionários que depois vão mudar de emprego. Mas quem quiser crescer, terá de se arriscar e fomentar uma política de pessoal que retenha o talento na empresa. Quem exerce a síndrome de Procusto não trabalha em equipe e rejeita a possibilidade de aprender com aqueles que estão à sua volta. E ainda os aniquila.

 

Entende que a maneira de igualar a todos é torpedear os mais brilhantes. O medo de ser superado leva muitos a viver em uma contínua mediocridade, onde eles não avançam nem permitem que outros o façam.

 

Reflita sobre isso!

 

(Fonte: Revista Melhor)

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