O Poder da Velocidade da Confiança Imprimir E-mail
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Escrito por Jefferson Leonardo   

          Ser ingênuo, inocente, vulnerável e crédulo faz parte da nossa infância, nesse período temos grande propensão para confiar em tudo e em todos. Com o passar do tempo e a experiência de vida, muitos de nós passam a confiar menos, às vezes por bons motivos.

           Stephen R. Covey em seu livro “O Poder da Confiança” cita que: apenas 12% dos colaboradores confiam na empresa em que trabalham, e 36% acreditam que seus líderes agem com honestidade e integridade. Realmente assustador.

           Quando pensamos em confiança normalmente visualizamos ações de: honestidade, sinceridade, verdade, amizade e lealdade, acreditando que esses comportamentos são o suficiente para confiar em alguém, visualizando apenas um lado na construção da confiança. Para edificar a verdadeira e integral confiança é necessário enxergar o dois lados dessa moeda.

           O “CARATER e a COMPETÊNCIA” são os dois lados da moeda. Para entender melhor esse conceito, vamos imaginar que você está iniciando um relacionamento profissional com uma pessoa sincera, honesta e verdadeira, mas você não confiará plenamente se ela não produzir resultados concretos em seu departamento. Outra pessoa poderá  possuir grandes habilidades, talentos e bons antecedentes de resultados em outra empresa, mas se ela não for honesta e transparente você não confiará nessa pessoa, e não a manterá no quadro de pessoal. Por isso a credibilidade em uma pessoa acontece quando houver caráter e competência, sendo que a circunstância determina o nível de confiança que você poderá depositar em uma pessoa. Vejamos outro exemplo: o relacionamento entre casais é inundando por caráter e competência, mas no momento que você necessitar de uma cirurgia, por mais confiança de caráter e habilidade que a sua (eu) esposa(o) tenha em você, com certeza, você procurará um médico especialista para realizar essa tarefa.

           O primeiro lado dessa moeda trata do CARÁTER da pessoa, que é composto de  “INTEGRIDADE”, correspondendo à sua coerência do falar e se comportar, sua humildade sem ser fraco ou reticente, sua coragem de agir quando é difícil, e também pela “INTENÇÃO”,  que corresponde ao propósito, motivo e comportamento de fazer algo. O segundo lado é o da COMPETÊNCIA, que é composto pela “CAPACITAÇÃO”, contemplando as aptidões e forças naturais da pessoa (talentos), seus paradigmas, conhecimentos, habilidades e estilo (personalidade) de fazer as coisas, e também pelos ‘RESULTADOS”, sendo as conquistas e realizações alcançadas pela pessoa. Os resultados são fatos que aumentam a credibilidade e reconhecem o esforço, dedicação, acabativa e a competência de uma pessoa, sendo muito importante a forma como o resultado foi alcançado. Se o resultado foi atingido por meios ou comportamentos desonestos e nefastos, esbarrará no caráter, prejudicando intensamente o relacionamento de alta confiança.

           Quando conheci o conceito da Equação da Velocidade da Confiança, desenvolvido por Covey filho, fiquei estarrecido pela simplicidade, previsibilidade  e verdade absoluta contida na equação; mas antes de explicar o conceito vou relatar o exemplo que o autor descreve em seu livro:  Antes do 11 de Setembro, nos USA, podia-se chegar no aeroporto meia hora antes da decolagem, e passava-se com rapidez no controle de segurança, mas depois desse dia dá para imaginar o que mudou no aeroporto em razão da desconfiança! Todos os recursos foram colocados para aumentar a segurança e a confiança em voar, o que foi evidentemente necessário, obtendo os resultados desejados para aquele momento, porem tudo ficou muito mais lento, do check-in à entrada para o embarque, sendo necessário chegar com muito mais antecedência no aeroporto, e também ficou mais caro, passou-se a pagar uma taxa seguro extra de segurança, sem contar o valor hora, em razão da prevenção de chegar com duas horas de antecedência para o embarque.

           A equação é muito simples, veja:

Quando há baixa confiança, a velocidade diminuiu e os custos aumentam significativamente.

Quando a confiança cresce, a velocidade também sobre e os custos diminuem.

          Basta você imaginar essa equação acontecendo em diversas situações como: em uma aquisição de empresa, fechamento de um contrato, uma negociação, na liderança de sua equipe, em um relacionamento profissional ou pessoal. Pergunte-se: o quanto você está ganhando ou perdendo oportunidade de velocidade, e quantos custos você está aumentando ou reduzindo para o resultado desejado no seu dia-a-dia em relação à essa equação.

          É singular o fato de pensar em confiança olhando pela janela, ou seja, vendo primeiro a relação de confiança que você tem nos outros, esquecendo-se que devemos olhar primeiro no espelho, enxergando como estamos capacitados a estabelecer e sustentar confiança no nosso ciclo de relacionamentos, por isso convido-o a se perguntar:

  •     Confio em mim?

  •     Sou uma pessoa confiável?

  •     As pessoas podem acreditar em mim?

  •     Sou digno de confiança?

  •     Sou uma pessoa integra?

  •     Tenho boas intenções?

  •     Tenho competências em que as pessoas acreditam?

  •     Meus resultados falam mais alto do que a minha voz?

          Se as repostas foram, em sua maioria, positivas, parabéns, no quesito autoconfiança você está bem, o que é um excelente começo. Mas se você respondeu várias das perguntas acima de forma negativa, ótimo também, porque lhe dará a oportunidade de rever seus conceitos, atitudes e comportamentos de confiança para o futuro.

          Existe uma conta de impostos e dividendos que você recebe diariamente, mas essa conta não é entregue pelo correio, e nem apresentada em um formulário padrão de alguma instituição governamental ou bancária. Essa conta é aberta quando você inicia um relacionamento, e durante o percurso você pode pagar impostos ou receber dividendos. Tudo dependerá da maneira como você colocará em ação os comportamentos da alta confiança, nos mais diversos relacionamentos, interações e dimensões da vida.

          Ninguém quer pagar impostos, mas muitas vezes pagamos e sem perceber, são tirados da gente sem estarmos cientes, e o pior é que desperdiçamos a maioria dos impostos ocultos que pagamos. Eles são os custos da baixa confiança. Se você for um bom observador, poderá ver esses impostos aparecendo em toda parte – nas organizações e nos relacionamentos, e geralmente são muito altos.

Veremos a seguir os sete impostos organizacional da baixa confiança:

  1.     Redundância: é a duplicação desnecessária e o retrabalho. Projeta-se na excessiva hierarquia organizacional, níveis e estruturas sobrepostas, repetição de tarefas e controles desnecessários. O paradigma da redundância está na crença de que as pessoas devem ser supervisionadas de perto para que o trabalho seja feito, porque não se pode confiar nelas.

  2.     Burocracia: é a excessiva papelada, entraves desnecessários, controles, regulamentos e várias esferas de aprovação na empresa. A baixa confiança alimenta a burocracia e a burocracia alimenta a baixa confiança.

  3.     Politicagem: é o uso de táticas e estratégias para conquistar o poder, gerando no escritório retenção de informações, lutas internas, segundas intenções, rivalidades interdepartamentais, maledicência e reuniões após reuniões, resultando desperdício de tempo, talento, energia e dinheiro, envenenando a cultura da empresa.

  4.     Desengajamento: é quando as pessoas continuam trabalhando na empresa, mas na verdade já se demitiram mentalmente. O esforço de contribuição é o mínimo possível, somente para receber o salário e não ser demitido. Uma pesquisa mostrou que apenas 28% dos funcionários são engajados com a empresa em que trabalham. O desengajamento empurra a empresa para um ritmo lento, às vezes até paralisante, comprometendo a perenidade do negócio.

  5.     Rotatividade: é o entra e saí dos funcionários em uma empresa, causando um enorme custo de processo admissional e de treinamento. A falta de confiança, burocracia, politicagem geram os custos da rotatividade, representando dois salários anuais para cada substituição feita no quadro de pessoal.

  6.     Churn: se trata da rotatividade dos stakeholders , as partes interessadas em uma empresa, que não sejam os empregados (clientes, fornecedores, comunidades e investidores). Quando a baixa confiança faz parte do dia-a-dia dos stakeholders a velocidade diminui e os custos aumentam significativamente. Existe uma co-relação importante; quando a empresa não confia em seus empregados, eles tendem a passar essa falta de confiança aos clientes e demais partes interessadas, fazendo com que os clientes deixem de comprar e desaparecem. Imagine a conseqüência disso.

  7.      Fraude: é simplesmente desonestidade, sabotagem, obstrução, enganação e perturbação. Com a fraude a empresa aumenta o controle, conseqüentemente aumenta os seis impostos anteriores citados, causando enorme custo de tempo, energia, dinheiro e confiança à empresa.

          Creio que não será necessário descrevermos os dividendos, pois, simplesmente se trata do oposto de tudo que escrevemos sobre os impostos.

          Acredito, firmemente, que a equação da velocidade da confiança e a conta bancária da confiança poderá contribuir no seu sucesso profissional e pessoal, basta implementá-las em seu cotidiano, e se for possível estendê-la em todos os seus ciclos de influência, para resultar em um mundo de melhores relacionamentos.

“ Nada é tão rápido quanto a velocidade da confiança, e nada é mais gratificante do que um relacionamento de confiança.”  Stephen R. Covey.

Última atualização em Qui, 16 de Julho de 2009 18:45
 
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