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Uma vez um professor me explicou que tudo que existe no universo é circular: o cosmo, as células, o tempo e os acontecimentos, havendo constantes movimentos e diferentes velocidades. A palavra ciclo vem do grego kyklo que significa círculo, tendo a palavra ciclone como uma das suas derivações.
Nas empresas não poderia ser diferente, existem ciclos e ciclones. As pessoas são as verdadeiras protagonistas desses inevitáveis movimentos corporativos. O líder de uma empresa, unidade de negócio ou departamento é o principal responsável e condutor da equipe para a ineficácia ou eficácia do negócio; é a forma como ele lidera as pessoas e os ciclos que fará diferença no resultado final.
Estamos no século XXI, e ainda encontramos líderes que não percebem a diferença entre ser autoritário e ter autoridade; são coisas completamente distintas.
O gestor autoritário conduz as pessoas pela imposição, e muitas vezes, pelo domínio com certa violência emocional. O líder que gerencia com autoridade é aquele que conquistou prestígio, e consegue exercer influência positiva sobre as pessoas por seus méritos.
A ausência de modéstia e outros adjetivos de um líder autoritário, faz com que seus colaboradores tenham descréditos, constantes desconfianças dos seus atos e questionem sua legitimidade, sendo comum nessa situação, a omissão dos problemas internos com medo de serem punidos.
Como desconfiança gera desconfiança, o líder também acaba perdendo a fé nas pessoas, bastando isso para que se crie um Ciclo Vicioso, que poderá desestruturar um departamento, e até mesmo uma empresa, com resultados desastrosos.
Como curiosidade, até o século XV, os vocabulários vício e viço eram usados indiferentemente. Vício tinha a acepção de vigor, gozo e deleite, e viço como defeito de caráter e pecado; a partir daí viço assumiu a primeira acepção e vício a segunda.
O segredo para escapar do Ciclo Vicioso é investir nas pessoas, tanto nas suas qualificações técnicas, como nas capacitações comportamentais. Escolhi algumas dicas, entre dezenas, para serem operacionalizadas em sua empresa: 1- coloque e mantenha as pessoas certas nos lugares certos, investindo cuidadosamente no processo de recrutamento e seleção (interno e externo), principalmente para os cargos de liderança. O custo benefício desse trabalho traduz em: minimização de retrabalhos, redução de custos e favorecimento no clima organizacional, por construir equipes harmoniosas com a cultura e necessidades da empresa;
2- explicite os valores e princípios da organização com palavras e essencialmente com ações. O líder deverá ser o exemplo e o espelho dos comportamentos que se prega internamente na organização. Eliminar a qualquer custo, o ditado: “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”; 3- implante o planejamento anual com objetos, metas e indicadores claros. Faça com que todas as pessoas de sua organização conheçam e participem das decisões do planejamento; com isso haverá maior comprometimento, e não apenas envolvimento dos colaboradores. A diferença de comprometimento e envolvimento está na historinha do omelete: para fazer uma omelete é necessário alguns ingredientes; dois deles são básicos: ovos e bacon. Para atingir o objetivo de comer a fritada, a galinha está totalmente envolvida com o processo, mas o porco está incrivelmente comprometido;
4- invista muito e o tempo todo no conhecimento e na capacitação da sua equipe, e fortemente nos conceitos de liderança, transformando seus líderes em professores com foco no desenvolvimento de profissionais de alta-performance. Ainda escuto algumas pessoas dizerem: por que investir em treinamento para os funcionários se eles, na primeira oportunidade, nos deixam e vão para o concorrente? Nessa situação eu costumo dizer: se o senhor prefere ficar com as pessoas sem qualificação trabalhando aqui, terá produtos, serviços e uma empresa desqualificada para competir. A decisão é sua;
5- para que sua empresa cresça e perpetue no mercado cada vez mais competitivo, não basta enfrentar os atuais desafios de aumentar a produtividade, reduzir custos e encarar a concorrência globalizada. É preciso evitar o comportamento “imitativo”, buscando modelos e modismos externos para implantar. A idéia é criar uma inovação de valor, oferecendo diferenciais para o seu cliente.
Para isso, você como líder, deverá nutrir diariamente a motivAÇÃO da sua equipe, ou seja, inspirar motivos para as ações das pessoas no dia-a-dia. Quando o líder consegue interiorizar uma “causa” para toda organização, os resultados são múltiplos para os clientes, acionistas e colaboradores, proporcionando um clima de satisfação e felicidade entre os participantes desse ciclo.
Os tempos e os modelos de liderança evoluíram; para conquistar o respeito e a lealdade dos colaboradores, é preciso evitar a imposição pela força bruta ou moral, é necessário convencê-los pelas ações, caráter e ética, que você como líder é capaz de levar a empresa ou departamento ao sucesso, o que obviamente é bom para todo mundo. Só assim, a equipe irá estar comprometida e remarão na mesma direção, todos lucrando com o crescimento do negócio.
A palavra virtuoso vem do latim virtuose, que significa: toda pessoa que domina em alto grau a técnica de uma arte. Você pode passar facilmente de um Ciclo Vicioso para um Ciclo Virtuoso, basta dominar, entre outras, as cinco dicas apresentadas, transformando problemas em oportunidades, criando receptividade para a ação, praticando a gestão pela simplicidade e principalmente passar a acreditar e investir, de coração, nas pessoas.
Em que ciclo você está? Reflita sobre isso!
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